Padre Lima
Gonçalo de Souza Lima
(Padre Lima)
Gonçalo de Souza Lima, popularmente conhecido por PADRE LIMA, nasceu em Porto da Folha aos 27/07/1900, filho de Pedro de Souza Rito e Josefa Maria dos Prazeres. Nessa época Porto da Folha passava por significativa mudança no que se refere ao fim da escravidão à cerca de 20 anos, algo que havia deixado por lá a ferrenha marca do preconceito racial.
O Sr. Pedro Quenquém, tendo observado certo grau de inteligência no filho, manteve a intuição de mandá-lo para a capital a fim prosseguir com os estudos. Ainda segundo a visão dos pais naquele momento, o fato de o Sr. “João Quenquém” ter servido como escravo no passado, poderia comprometer o futuro do filho, assim confiou ao Monsenhor Francisco Gonçalves Lima (amigo de confiança da família de Josefa) o papel de manter seu filho na linha da busca de uma posição honrosa na sociedade. Talvez pela possibilidade de alcansarem uma melhor aceitação mais na sociedade, Gonçalo e seu irmão Manoel adotaram o sobrenome Lima em substituição ao sobrenome original “Rito”, digamos que era legal e comum descendente de escravo ter o direito de alterar seu nome de batismo em determinada época no Brasil. A proteção do Monsenhor Francisco Gonçalves Lima foi decisiva para o processo de ordenação de Gonçalo de Souza Lima. Dessa forma, a chance de prosseguir os estudos e alcançar seu objetivo lhe foi assegurada em Aracaju, cuja ordenação se deu em 17/11/1929 na Matriz do Senhor dos Passos em Maruim, celebração feita por Dom José Thomaz.
A primeira missa celebrada pelo Padre Lima aconteceu dia 01/12/1929 na terra natal. No ano seguinte foi designado a substituir o Padre Artur Passos em Porto da Folha, permanecendo até 1931, quando foi transferido para a paróquia de Pacatuba, onde ficou até 1937, ocasião em que passou a ser o pároco de Aquidabã (1937 a 1948), entretanto, em 1946, o Padre Lima esteve por diversas vezes a celebrar missas, casamentos e batizados em Porto da Folha, embora sendo o pároco oficial de Aquidabã. Este compromisso espontâneo se deu pelo fato de sua terra natal haver ficado longo período sem Padre.
Após a chacina de Angicos, em 28/07/1938, quando morreram Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, chegou a Porto da Folha um grupo de 17 cangaceiros para se entregar, três deles foram à casa do Pe. Lima a procura dos sacramentos: Criança, Dulce e Balão. João Alves da Silva (o Criança) e Dulce Menezes pediram para se casar e Guilherme Alves dos Santos (o Balão) para ser batizado. O Padre, então vigário de Aquidabã, encontrando-se na terra natal não se opôs ao pedido de Criança. Quanto ao pedido de Balão, disse com seu vozeirão: “Eu não acredito que um homem na sua idade seja pagão!” e o cangaceiro respondeu: “Eu sou”. A minha família é crente.
O Capitão só me aceitou porque prometi que tão logo encontrasse um Padre, pediria pra me batizar.” O Padre Lima retrucou: “Lampião já morreu!” Balão justificou: “Mas eu estou devendo e quero pagar.” O Padre achando bonito o gesto do cangaceiro, lhe disse: “Então vá procurar um padrinho”. Ele foi direto a “seu” Manezinho Delegado e este recusou o convite. O cangaceiro voltou triste e o Padre Lima perguntou: “Já tem padrinho?” Balão: “Eu convidei seu irmão e ele não aceitou”. O Padre mandou chamar o irmão e disse: “aceite, que é para fazer dele um cristão”. O casamento e o batizado foram realizados perto do meio dia, na presença de muitos curiosos, principalmente meninos, tendo por padrinhos o Sr. Manoel de Souza Lima e Dona Estefânia (D. Ester).
A partir deste e de outros acontecimentos marcantes, o Padre Lima foi se tornando cada vez mais conhecido no sertão de Sergipe.