O DRAMA VIVIDO POR DR VILOBALDO
Para Dr. Vilobaldo, que residiu em Porto da Folha entre 1972 e 1978, a cidade parecia ideal para sua definitiva permanência. O médico Vilobaldo, natural da Bahia, cor negra, cabelos crespos, magro, estatura média, considerado um dos melhores profissionais da medicina que por esta redução passou. Vilobaldo tinha a mania de não dispensar um bom aperitivo nas horas de folga. Talvez por isso e por ser de cor, não foi muito bem aceito por algumas pessoas da localidade, mesmo assim adaptou-se ao ambiente fazendo amizade com a maioria dos habitantes sem perceber que o pior estava para acontecer. Certo dia o médico exagerou na dose e, sem avistar sanitário por perto, teve que urinar na rua, justamente na hora que passava alguém que não o via com bons olhos. Qualificando o ato como desrespeitoso, o morador comunicou ao delegado o que tinha visto em plena via pública. Não tardou para que a autoridade autuasse o médico dando-lhe voz de prisão.
No ponto-de-vista dos mais humildes, o delegado abusou de sua autoridade não poupando o médico de tamanho constrangimento. Vilobaldo ficou detido por algumas horas no quartel ao lado da prefeitura enquanto o boato se espalhava pela cidade. A maioria da população entendeu que a necessidade de urinar teria sido um ato involuntário, portanto solicitou ao prefeito a soltura imediata do médico. De certa forma a detenção prejudicou Vilobaldo a ponto de afetar sua credibilidade perante pessoas influentes. Para ele foi uma forte pancada, pois se sentiu vítima do preconceito sendo ele o único médico a ser detido em Porto da Folha. Achando-se desmoralizado, o médico partiu para a Aracaju e nunca mais retornou à Porto da Folha. Nota-se neste episódio o forte preconceito racial existente naqueles idos, pois se fosse um médico de cútis branca talvez não teria passado por tamanha decepção.
Possivelmente o aprisionamento de Vilobaldo tenha causado desânimo aos pardos e mulatos do município. O contista e seu amigo João Genaldo Dantas, por serem morenos, se conscientizaram de que era quase impossível conseguir um namoro naquele ambiente racista. Na verdade nenhum dos dois, apesar da insistência, conseguiu convencer sua paquera a iniciar um romance sem sigilo. Atrelado a esse insucesso reinava a falta de diálogo no convencimento, além disto, havia o desconforto de andarem mal vestidos.
Detalhes de nossa história; por Joaquim Santana Neto, julho/2026













